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2 de outubro de 2011

“Não vou receber 14º nem 15º salários”

O socialista Severino Souza e Silva, mais conhecido como Ninho, assumirá a vaga de deputado federal, quando Ana Arraes (PSB) tomar posse como ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) e Paulo Rubem Santiago (PDT) virar titular na Câmara. No ano passado, o ex-prefeito de Igarassu ficou na terceira suplência de federal da Frente Popular, com 37.968 votos - atrás de Rubem e Vilalba de Jesus (PRB). O futuro deputado revela, nesta entrevista à Folha, suas expectativas e planos para o mandato, além de prometer seguir os passos do deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que reduziu custos de gabinete e abriu mão de assessores, economizando mais de R$ 2,3 milhões para os cofres públicos durante seu mandato. Severino Ninho, entretanto, pode não permancer no parlamento por tempo suficiente para fazer tanta diferença, pois pretende disputar a Prefeitura de Igarassu em 2012.
Qual a sua expectativa para este mandato?
A expectativa é fazer um trabalho voltado para o interesse do povo de Pernambuco. A função de deputado é uma das mais nobres e mais difíceis: defender os interesses do povo. Quero me integrar ao partido, aos companheiros do PSB e da base da presidente Dilma, no sentido de defender os projetos de interesse popular.

Qual a sua principal preocupação, aquela que será levada a Brasília como a sua bandeira?
A ética na política. A moralização da atividade parlamentar. Não se pode viver em um país onde a cada semana cai um ministro. É claro que não podemos esquecer dos interesses do povo e das coisas que o povo quer, e vou lutar por isso também. O que o povo quer é moradia, educação de qualidade, uma saúde digna, mobilidade, segurança. Tenho uma preocupação especial com o Litoral Norte, já que sou o primeiro filho da região a conquistar uma cadeira na Câmara, em 21 anos. E a expectativa de ajudar é grande, já que somos aliados do governador Eduardo Campos (PSB), que já tem muitos projetos em curso. É preciso especial atenção para obras de mobilidade urbana, como o Arco Me­tropolitano, que ligará Itamaracá a Cajueiro Seco (Jaboatão), e o Corredor Norte-Sul. Também é preciso lutar por investimentos em qualificação profissional, pois a chegada da Fiat em Goiânia vai atrair muitas indústrias.

O senhor já esteve muito próximo de assumir um mandato em duas outras ocasiões, quando a titularidade acabou ficando para os suplentes da coligação. As batalhas judiciais travadas anteriormente causaram alguma ansiedade?
Eu sou uma pessoa muito tranquila. Poderia ter me candidatado a deputado estadual, seria eleito com muito mais facilidade, mas não estou atrás de cargos. Estou em busca de um ideal. A questão é a seguinte: em outras situações, o Supremo Tribunal Federal deu a senha. Foram concedidas quatro liminares mandando empossar o suplente do partido, dizendo que o mandato era do partido. Foi um parecer do ministro César Peluso, dois da Carmem Lúcia e um do Joaquim Barbosa. Depois de quatro decisões favoráveis, cabia a mim defender o direito de ser empossado, mas sem ansiedade, sem estresse. Depois as liminares caíram, os ministros mudaram de opinião, mas encarei com tranquilidade. Tanto que Ana teve seu nome aprovado como ministra no dia 21 e eu não fui a Brasília ainda, estou aguardando que ela seja nomeada por Dilma e chamada pelo TCU.

Há algum parlamentar hoje na Câmara que se encaixa na “moralidade” que o senhor defende para o Congresso?
Tem um deputado em Brasília do PDT, que não recordo o nome agora, mas os jornais tem feito várias matérias. Ele foi um dos mais votados do Brasil.

O mesmo que reduziu as verbas de gabinete? Deputado José Antônio Re­guffe?
Esse mesmo.

E o senhor fará o mes­mo?

Farei.

É um compromisso, que o senhor assume? De se espelhar em Reguffe?
É. Mas não vou me espelhar nele, vou dar continuidade a uma postura que eu já tenho. Eu fui vereador em Igarassu por seis anos e nunca recebi uma diária. Fui secretário de Governo por oito meses e nunca recebi uma diária. Fui vice-diretor da Penitenciária Agrícola, nomeado por Miguel Arraes, e nunca recebi uma diária. Fui vice-prefeito por sete anos e seis meses e recebi quatro diárias. Então, eu quando fui vereador, quando fui vice, quando fui diretor da penitenciária, já tinha essa conduta de recusar certos privilégios com os quais eu não concordo. E não estou dizendo que é ilegal ou imoral. Minha opinião é só uma questão de formação e de forma de pensar.

Quais são as medidas de corte de gastos que se compromete a tomar?
Você quer que eu adiante as coisas? Por exemplo, não gastar integralmente a verba de gabinete e a verba de funcionários. E não vou receber 14º nem 15º salários, entre outras coisas.

Para o próximo ano, sua intenção é permanecer na Câmara ou tentar uma nova candidatura como prefeito?
Há um movimento para que eu volte a governar Igarassu. Quando eu saí da prefeitura, estava decidido a não voltar, porque eu fiz um trabalho aprovado pela população, elegendo um sucessor. Um prefeito tem poder de definir e executar obras, mas também tem muita responsabilidade. Governar uma cidade não é fácil. Mas, infelizmente, o atual prefeito (Gesimário Baracho/PSB) não vem sendo aprovado e eu tenho sido instado pelo partido e pela própria população a ser candidato. Então, estou decidido a disputar a eleição em Igarassu no ano que vem. A gente fez uma reunião - Ninho e os atuais prefeitos de Igarassu, Gesimário Baracho, e de Paulista, Yves Ribeiro (PSB) - e foi discutido isso. Quem estiver com melhor aprovação popular, em maio de 2012, será o candidato. A questão é que Gesimário está se transferindo para o PT e eu acho que o PSB, que governa Igarassu há quatro mandatos, não vai abrir mão de disputar a cabeça. Aquela velha história: o PT não abre no Recife, porque está no poder; o PCdoB não abre em Olinda e o PSB não vai concordar em ceder a cabeça da chapa em Igarassu. Eu vou disputar a eleição em Igarassu, salvo se o prefeito não sair do partido e se recuperar até o fim do ano. E quando eu digo se recuperar, estou me referindo a ter maior aprovação popular.

Já houve algum comunicado oficial da saída de Gesimário Baracho do PSB?
Ele disse na reunião que, mesmo eu colocando que o PSB não é problema para seu projeto de reeleição e que ele sempre teve a legenda para disputar, se estiver bem avaliado, por segurança, prefere migrar para o PT. Em 2008, Yves Ribeiro queria voltar a disputar em Igarassu e mesmo assim a legenda esteve assegurada para Gesimário. Mesmo sendo presidente do partido, não vou impor minha candidatura. Mas ele quer sair, embora não tenha formalizado a saída, entregando uma carta de desfiliação.

Qual a principal falha do atual prefeito de Igarassu, o que pode ajudar a explicar a insatisfação que o senhor afirma existir na cidade?
Há um entendimento de que ele precisa ir mais à rua, de que ele precisa ir mais às obras e aos eventos. Ele é muito recatado, caseiro, digamos assim, e há muita reclamações quanto a isso. Falta a presença física dele nos eventos, nas obras que executa, fiscalizando e inaugurando.

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO
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