Com gol do vaiado Juninho, Vasco bate Sport na Ilha e dorme líder

Capitão cruz-maltino é xingado por parte da torcida rubro-negra e abre 
o placar na vitória por 2 a 0. Time torce contra o Atlético-MG nesta quinta

Ao voltar à Ilha do Retiro após 13 anos, Juninho viveu a expectativa de receber o carinho no estádio onde viu nascer seu futebol. Mas foi vaiado e xingado por boa parte da torcida do Sport, antes e durante o jogo. Se ficou chateado com a reação vinda do lado rubro-negro da arquibancada, o meia pôde vibrar com a parte cruz-maltina. Marcou um belo gol de falta, no segundo tempo, e abriu o placar na vitória por 2 a 0 do Vasco, na noite desta quarta-feira.
- Não sou o primeiro a sofrer com esse comportamento. Torcedor tem memória curta, por mais que você tenha feito algo pelo clube. Eu entendo e respeito - declarou Juninho no intervalo.
O equatoriano Tenorio, que ficou cinco meses se recuperando de uma lesão no tendão de Aquiles e voltou a jogar no domingo, fez o segundo - um golaço, driblando goleiro e deixando Tobi no chão com um corte.
O Vasco está provisoriamente na liderança do Campeonato Brasileiro, com 34 pontos, dois a mais do que o Atlético-MG, que tem dois jogos a menos e enfrenta o Coritiba nesta quinta-feira, em Belo Horizonte. O time de Cristóvão Borges mostrou a boa fase de seu sistema defensivo, já que foi pressionado em parte do segundo tempo e se segurou bem. Agora acumula sete partidas sem sofrer gol.
O Sport, derrotado pela terceira vez em casa, tem 14 pontos e está logo acima da zona de rebaixamento, em 16º lugar. O Palmeiras, 17º, soma 13.
- Tivemos a expulsão do Diego Ivo, a lesão do Henirque. Foi injusto (o resultado). A gente teve a bola do Moacir na trave, a bola do Rithely defendida. Existem os detalhes que fazem com que você ganhe ou perca, e eles foram desfavoráveis para a gente. O torcedor entendeu que o time jogou bem e que não mereceria esse resultado - comentou o técnico Vágner Mancini.
No fim de semana, pela 16ª rodada, o Vasco fará um duelo direto pela liderança do nacional, enfrentando o Atlético-MG, às 16h de domingo, no Independência. Um dia antes, os pernambucanos recebem o Figueirense.
Juninho Pernambucano gol Vasco x Sport (Foto: Marcelo Sadio / Site Oficial do vasco)Juninho cobra falta com precisão e corre para comemorar (Foto: Marcelo Sadio / Site Oficial do vasco)
 
Campo encharcado deixa primeiro tempo travado
Sport e Vasco tinham um adversário a mais na Ilha do Retiro: o gramado. Encharcado por causa das fortes chuvas que caíram no Recife antes da partida, o campo prejudicou a construção de jogadas dos dois lados, causando erros de passe, dificuldade no domínio de bola e chutões para o ataque.
Mais técnico, o Vasco levou a pior no primeiro tempo. Ainda tentou impor seu domínio valorizando a posse de bola com a troca de passes. Mas, com poças d'água pelo caminho, era quase impossível para os laterais e Eder Luis conduzirem a bola em velocidade.
O Sport mostrou-se mais adaptado à condição do piso e arriscou chutes de fora da área. No entanto, as finalizações passavam sempre longe de Fernando Prass, que terminou a partida com 647 minutos sem buscar a bola na rede. Ainda que mais presente no ataque, o Rubro-Negro também era prejudicado pelo campo encharcado.
Juninho marca de falta, e Tenorio faz golaço
O técnico Cristóvão Borges decidiu priorizar a força em relação à velocidade. Assim, substituiu Eder Luis por Tenorio no intervalo. Assim como no jogo contra o Corinthians, no domingo, o equatoriano aumentou o poder de ataque do Vasco, que tinha mais espaços para avançar graças à postura mais ofensiva do adversário.
Em pouco tempo, o time da casa teve duas ótimas oportunidades de abrir o placar. Na principal delas, aos dez minutos, o lateral Moacir cabeceou a bola no travessão após cruzamento de Marquinhos Gabriel. Em seguida, Rithelly recebeu na grande área e chutou para uma grande defesa de Fernando Prass.
Juninho encontrava dificuldades para construir seu jogo. Numa primeira cobrança de falta, de frente para o gol, ele chutou por cima, sem perigo. Foi vaiado pela torcida local e ouviu os gritos de "rei" dos vascaínos. Mais tarde, aos 22 minutos, brilhou em sua especialidade. Cobrou com perfeição, no ângulo esquerdo do goleiro Magrão, e comemorou muito o gol, correndo em direção ao local onde estava a sua família e mandando beijos. Antes da partida, uma de suas irmãs dissera qual havia sido seu recado a ele:
- Disse a ele que estava proibido de bater faltas - brincou Maninha.
Sport x Vasco (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)Campo atrapalha os times, sobretudo no primeiro tempo (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
A torcida do Sport passou a transferir as vaias de Juninho para a sua equipe. E o Vasco reforçou a marcação com a entrada de Fellipe Bastos no lugar de Carlos Alberto, apostando nos contra-ataques e explorando o desespero do adversário. Tenorio teve uma primeira grande chance para ampliar a vantagem no placar. Recebeu passe de Juninho, driblou Magrão e concluiu, mas Diego Ivo tirou a bola quase em cima da linha, aos 28 minutos.
Se salvou o Sport nesse lance, Diego Ivo se complicou pouco depois. Um minuto depois que o técnico Vagner Mancini fez a terceira substituição, o zagueiro cometeu falta e levou o segundo cartão amarelo, sendo expulso aos 32 minutos.
Era do que o Vasco precisava para ter mais tranquilidade. Aproveitou a superioridade para marcar o segundo gol aos 39 minutos. Após falha da defesa do Sport, Tenorio ficou com a bola e fez um golaço. Driblou novamente Magrão e, em vez de concluir e correr o risco de ver um adversário impedir seu gol mais uma vez, deu um corte seco em Tobi, deixando-o no chão: 2 a 0.
Juninho deixou o campo substituído e foi novamente vaiado pela torcida do Sport. Mas, sem perder a compostura, preferiu fazer uma espécie de reverência à torcida que o trata como ídolo, batendo na cruz de malta.

Por Globo Esporte.com
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