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Ministério do Trabalho e Emprego interdita a Contax

Descumprimentos de orientações para a saúde do trabalhador levaram à suspensão de atividade na unidade de Santo Amaro, que emprega 14 mil pessoas
Os trabalhadores foram retirados do prédio e quem chegava recebia a informação de que aguardasse a orientação sobre o retorno da atividade. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/ D. A Press

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditou na noite de terça-feira (20) a unidade sede da Contax, em Santo Amaro, no Recife, devido a uma série de infrações que prejudicam diretamente a saúde de 14 mil trabalhadores da unidade. Depois de recorrentes orientações e termos de ajustes indicados pela Justiça do Trabalho e não cumpridos pela empresa, a paralisação do prédio atinge principalmente os teleatendimentos de bancos e operadoras de telefonia. Problemas de saúde geram mais de seis mil atestados apresentados por mês na Contax, parte deles rejeitados. Os trabalhadores foram retirados do prédio e quem chegava recebia a informação de que aguardasse a orientação sobre o retorno da atividade.

Na noite dessa terça-feira, agentes da Polícia Federal retiraram os funcionários do prédio e os orientavam a esperar por informações sobre o retorno das atividades. "Por volta das 23h30, todos os empregados que estavam trabalhando já haviam sido liberados e aqueles que iriam começar o expediente de meia-noite foram impedidos de entrar na empresa", explicou o vendedor Adelson Silva, que trabalha em frente à unidade da empresa, que presta serviços de call center a quatro bancos e três operadoras de telefonia.
O termo de interdição integra uma lista de itens a serem atendidos pela empresa para suspender a interdição, que seria o retorno do funcionamento do local. Higiene de espaços e equipamentos do ambiente de trabalho e postura de assédio moral de supervisores e coordenadores estão na lista. O MTE terá um dia útil para liberar o funcionamento, caso não permaneçam as infrações.  O descumprimento da interdição pode gerar prisão para o autor da liberação. A Polícia Federal participou da operação para garantir a segurança dos auditores.

De acordo com a coordenadora da operação do MTE, Cristina Serrano, são muitas regras não cumpridas e condições de trabalho que prejudicam diretamente a saúde, o que pode justificar o alto volume de faltas  e apresentação de atestados. “O nível de adoecimento se tornou algo fora de controle. Os trabalhadores são proibidos de beber água de acordo com a necessidade. O mesmo vale para ida ao banheiro. As cobranças de atendimento e metas a cumprir são excessivas. Todo esse cenário gera problemas osteomusculares, como tendinites, e geram patologias irreversíveis, como lesões de ombro ou de perda de audição. Por ter restrições de idas ao banheiro, evitam beber água, o que causa infecção urinária. E entra no círculo de patologias”, destacou. “A maioria tem idade de 18 anos a 25 anos e estamos visualizando uma parcela de jovens sequelados”, complementou. A empresa não quis comentar o assunto.

A Contax, maior em atuação no serviço de teleatendimento do país, é prestadora de serviço de call center para quatro bancos (Bradesco, Itaú, Santander e Citibank) e três operadoras de telefonia (Oi, Vivo e Net). As empresas foram autuadas e multadas em mais de R$ 300 milhões no fim do ano passado por terceirização ilícita dos serviços de call center, além de assédio moral e adoecimentos em massa de trabalhadores alocados dentro da Contax. Hoje, será realizada audiência interinstitucional, quando serão apresentados, oficialmente, os resultados dessa ação, que integra mobilização nacional de fiscalização nas centrais de teleatendimento dos bancos e teles que funcionam dentro das empresas Contax e Contax Mobitel, nos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul
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Com informações do Diário de PE e NE10
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