Reformulação da DC Comics é momento ideal para dar nova chance aos super-heróis


Para atrair mais público, histórias tiveram novo início e revistas zeradas. Todos os títulos chegarão ao País
Para atrair mais público, histórias tiveram novo início e revistas zeradas. Todos os títulos chegarão ao País
Foto: Divulgação/Panini Comics

Por Paulo Floro
Por isso, além dos títulos principais, como Superman, Batman, Flash e Lanterna Verde, outros personagens menos conhecidos e séries sem muito apelo comercial ganharão uma distribuição exclusiva através das comic-shops Comix e Devir.

Serão elas que enviarão aos seus parceiros pelo País. Aqui no Recife, a loja Fênix, no Espinheiro, será a representante local para receber esses títulos exclusivos, um pouco mais caros por terem uma tiragem menor. Considerados mitos modernos, os super-heróis fazem parte da cultura popular do Ocidente e estão presentes no imaginário popular. Agora, leitores antigos de gibis e novatos instigados pelos filmes e séries de TV poderão retomar suas coleções a partir deste mês.

O NE10 leu as primeiras edições nacionais da reformulação - Batman, Superman, Liga da Justiça, Universo HQ - e conferiu em inglês os primeiros números dos demais títulos. Quem está com dúvidas desse novo início, o pequeno guia abaixo, pode ajudar.


Superman agora não usa mais a cueca por cima da calça (Divulgação)

Superman
O primeiro número do Superman traz os dois títulos regulares do herói (Action Comics e Superman) e a aventura de sua prima kryptoniana, Supergirl. Escritor por George Pérez, o título-chave do heróis peca pelo excesso de informação. Ficamos descobrindo que o Planeta Diário faz parte de um conglomerado de mídia com acusações de corrupção e Lois é diretora de web e TV da empresa. Mas, o que mais chama atenção é Superman e seu novo uniforme, agora sem a cueca por cima das calças (isso sim um choque!) e parte externa semelhante a uma armadura. É uma tentativa de tentar modernizar o herói, mas experiências como essa não deram muito certo no passado. É esperar para ver.

Já Action Comics tem um roteiro primoroso assinado por Grant Morrison. Nela conhecemos o passado do herói, quando ele ainda estava aprendendo a usar os poderes. O melhor é que faz referências à história original publicada em 1937. O desenho de Rags Morales é outro destaque. Por fim, temos a primeira aparição de Supergirl. A personagem nunca teve momentos memoráveis pré-reboot (a não ser quando morria, coitada). Agora, começaram sua história bem do início, quando ela caiu na Terra vinda de Krypton, ainda adolescente. O primeiro número não entregou muito da série e mostra apenas sua luta contra uma misteriosa organização que já sabia de sua vinda. Vejo potencial na HQ, mas é preciso de um trabalho mais ousado para uma heroína tão sem apelo.

Serviço: Superman, R$ 5,90, 64 págs (o primeiro número, excepcionalmente, custou R$ 6,60 e teve 84 págs). Nas bancas.


Todos os bat-títulos serão publicados, em duas revistas (Divulgação)

Batman
As perspectivas são bem melhores para quem quiser voltar a ler Batman. O herói continuou dois títulos no Brasil, que já existiam antes da reformulação: Batman e A Sombra do Batman. A primeira reúne os três títulos que o herói tem nos EUA: Batman, Batman - The Dark Knight e Detective Comics.

O escritor Scott Snyder coloca Batman em uma investigação de um assassinato que pode envolver seu parceiro de longa data, Dick Grayson. Os desenhos de Greg Capullo trazem um Batman corpulento igual ao que nos acostumamos ver nos filmes recentes. Detective Comics, escrito e desenhado por Tony Daniel reinicia o clássico embate do herói com o Coringa. Por fim, temos Batman - The Dark Knight na mais fraca das três histórias, escrita por Paul Jenkins e desenhada por David Finch. O herói precisa conter uma rebelião no Asilo Arkham, mas o mote aqui é mostrar mais do cotidiano de Bruce Wayne.

Nesta reformulação, o Robin é Damien, o filho de Bruce Wayne, ainda um adolescente. Os dois Robins anteriores já seguem suas carreiras solo, como Robin Vermelho (Tim Drake) e Asa Noturna (Dick Grayson). A DC decidiu manter tudo como estava antes do reboot por causa tanto da aceitação de Damien entre os leitores, mas também porque os antigos Robins já tinha suas próprias histórias.

A revista A Sombra do Batman chega dia 15 deste mês e traz personagens que atuam em Gotham e fazem parte da rede de influência do herói. É um título voltado para os Bat-fãs e é dispensável para o entendimento das histórias principais do Homem-Morcego. No entanto, as aventuras de Batwoman e Asa Noturna (Nightwing) andam valendo muito a pena. Os outros títulos que compõem o mix são Batman e Robin, Capuz Vermelho e os Renegados, Batgirl, Mulher-Gato e Batwing.

Os super-heróis nunca estiveram tão presente na mídia quanto nos últimos anos. Aproveitando a repercussão no cinema - com destaque para a série dos X-Men e Batman de Christopher Nolan - a DC Comics iniciou uma ousada estratégia de reiniciar mais uma vez seu universo como forma de atrair novos leitores. Em outras palavras, ela zerou todas as revistas e recontou a origem de alguns personagens. Neste recomeço, os superseres surgiram na sociedada há apenas cinco anos.
Batizado de "Novos 52", em referência ao número de títulos lançados, essas histórias acabam de chegar às bancas brasileiras. Em uma iniciativa inédita, a Panini Comics, que detém os direitos de publicação no País, anunciou que irá lançar todos os títulos dessa reformulação. Será a primeira vez que isso acontece no mercado nacional.  Até então, os editores optavam pelas histórias que sairiam aqui, baseado tanto na relevância quanto no potencial de vendas.
Serviço: Batman 1, 76 págs, R$ 6,50. (O primeiro número foi mais caro e teve mais páginas. O preço normal será R$ 5,90, com 64 págs). Nas bancas dia 15/6.


Liga: os heróis encontram-se pela primeira vez (Divulgação)
Liga da Justiça
Título central desta reformulação, a HQ foi a primeira desta nova fase a ser lançada e tornou-se sucesso de vendas nos EUA. A história, assinada por Geoff Johns e Jim Lee, mostra os heróis cinco anos antes, durante seu surgimento. É legal ver Batman falando de Superman como alguém de quem ele ouviu falar e todos se encontrando pela primeira vez. Esta estreia deixa um tom de suspense no ar e, segundo a DC, a revista será o centro nervoso desse novo universo. No Brasil, o título ainda traz duas histórias, infelizmente não tão boas: Liga da Justiça Internacional e Capitão Átomo (esta, talvez a pior de todo o reboot). Ambas são repletas de clichês, amontoado de frases de efeito e no caso da segunda, uma trama confusa.

Serviço: Liga da Justiça 1, 68 págs, R$ 5,90 (nas bancas)
Considerados mitos modernos, os super-heróis fazem parte da cultura popular do Ocidente e estão presentes no imaginário popular
Lanterna Verde
A DC sabe que os fãs do herói esmeralda são fervorosos, por isso decidiu não resetar as histórias dele. O único cuidado que o roteiro tem é de tentar contextualizar conceitos da trama. Mas não é suficiente. As histórias continuam complexas e são indicadas apenas para quem já acompanhava o título - que fazia muito sucesso, diga-se. Geoff Johns e Doug Mahnke seguem assinando o título principal e trazem o vilão Sinestro carregando o anel de Hal Jordan. Lanterna Verde: Novos Guardiões tem Kyle Rayner, o mais sem graça dos Lanternas em uma história que reconta sua origem. Quem escreve é Tony Bedard, com desenhos sem muita personalidade de Tyler Kirkham. Por fim, a revista traz o título Tropa dos Lanternas Verdes, com Guy Gardner e John Stewart tendo que lidar com um assassino de Lanterdas Verdes. O roteiro é de Pete Tomasi e desenhos de Fernando Pasarin.

Serviço: Lanterna Verde 1, 68 págs, R$ 5,90 (nas bancas)

Não foi desta vez que Mulher-Maravilha ganhou uma revista só sua (Divulgação)
Mulher-Maravilha
Uma injustiça a Mulher-Maravilha não ganhar um título próprio. Seria a única mulher entre os heróis mais icônicos da editora a ter uma revista própria. A seu favor, ela teria também um bom roteiro de Brian Azzarello e desenhos de cair o queixo de Cliff Chiang, um dos poucos nomes que trazem um traço mais autoral nesta reformulação. Quem gostar da super-heroína terá que comprar a revista Universo DC (148 págs, R$ 14,90), uma espécie de almanaque que reúne diversos heróis solo da editora.

Serviço: Publicada em Universo DC, que também tem histórias de Aquaman, O Selvagem Gavião Negro, A Fúria de Nuclear, Senhor Incrível, OMAC e Falcões Negros. 156 págs, R$ 16,90 (as próximas edições terão 148 págs ao preço de R$ 14,90).
Flash
Outro herói que ganhou uma boa equipe criativa. Francis Manapul, também desenhista, divide o roteiro com Brian Buccellato, escritor já acostumado às histórias do homem mais rápido do mundo. Barry Allen é um perito criminal de Central City que secretamente atua como o velocista escarlate. Sua revista mensal no Brasil trará ainda Arqueiro Verde, escrito por J.T. Krul e desenhos de Dan Jurgens, um tanto monótona e Exterminador, por Kyle Higgins e Joe Bennett, uma HQ interessante sobre um dos mais antigos anti-heróis da editora.

Serviço: Flash 1, 68 págs, R$ 5,90 (Lançamento dia 15/6)

As primeiras revistas da reformulação da DC: zeradas (Foto: Divulgação)

O resto do Universo
As opções serão muitas para os leitores nesta reformulação. Além dos heróis mais conhecidos, citados acima, diversos outros pedem uma chance. É o caso de Homem-Animal, herói cult da editora com roteiro de Jeff Lemire, que será lançada por aqui na revista Dark, em julho. E Monstro do Pântano, ainda sem data.

Para dar conta de tantos títulos, a Panini decidiu lançar alguns títulos diretamente em comic-shops, com tiragem menor. Segundo a editora, são revistas com um apelo popular menor, ainda que tenham boas histórias. As revistas já anunciadas até agora são Novos Titãs & Superboy, Universo DC Apresenta: Desafiador, Frankstein, Agente da S.O.M.B.R.A. e Esquadrão Suicida & Aves de Rapina, todos para julho. Ainda há outros títulos sem data, como Legião dos Super-Heróis, DC Terror, Tropa dos Lanternas Verdes, entre outros.

Para detalhes de preços, mixes e datas de lançamento, o blog Papo de Quadrinho, parceiro do NE10, tem todos os detalhes. Na próxima semana, falaremos da atual situação da Marvel no Brasil e detalhes de como acompanhar a editora para quem estava afastado das histórias ou tem vontade de iniciar uma coleção.
DC? Ah, aquela editora dos heróis mais famosos
Wolverine e Thor podem até terem um sex-appeal irresistível às grandes audiências, mas poucos se gabam se serem icônicos como os super-heróis da DC Comics, a exemplo de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman, e outros. Esses personagens carregam um simbolismo utópico de mitos, seres quase intocáveis cuja índole - na maior parte das vezes - segue inabalável.

Enquanto heróis da Marvel são mais calcados no mundo real, e demonstram com mais frequência suas mazelas morais, a DC traz uma maior idealização. São como mitos. O interessante desta reformulação é que os leitores poderão ver o início da carreira dos personagens, antes de serem os melhores do mundo. Superman ainda não é uma celebridade unânime. Batman é caçado e visto com desconfiança pela força policial de Batman. Já Flash está dando seus primeiros passos no vigilantismo e tentando conciliar vida profissional com o colante vermelho. A exceção são as histórias interplanetárias de Lanterna Verde, que seguem com seu público fiel e com a cronologia inalterada.
Com um apelo ao colecionismo, esta nova fase da DC Comics por aqui representa o melhor momento para voltar a ler histórias de super-heróis.

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