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25 de julho de 2013

Queda de avião em Goiana não passou de boato

Helicópteros da SDS, viaturas dos Bombeiros, do Samu e embarcações foram enviadas ao local do suposto acidente / Foto: Álvaro Mello/reprodução do Facebook

Helicópteros da SDS, viaturas dos Bombeiros, do Samu e embarcações foram enviadas ao local do suposto acidente

Foto: Álvaro Mello/reprodução do Facebook

O que até agora parece ser o maior boato do ano, no meio da tarde desta quarta-feira (24), causou uma mega-operação em torno da informação da queda de um avião de pequeno porte no Litoral Norte de Pernambuco. A "tragédia", inicialmente relatada por moradores de Catuama e Ponta de Pedras, mobilizou Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Aeronáutica, Marinha, Samu e Polícia Militar. No início da noite, um policial militar e um tenente-coronel dos Bombeiros disseram que os informantes provavelmente se confundiram.

A imprensa também se deslocou em grande escala para o local. Dezenas de ligações nas redações dos veículos de comunicação para departamentos de comunicação dos Bombeiros, Cindacta, Marinha, PRF... Todos mantinham a indicação da provável queda da aeronave.
Um ouvinte da Rádio Jornal "jurou de pés juntos", ao vivo, ter visto o bimotor "planando" no mar e depois afundando aos poucos. Outra ouviu até o "estrondo" da queda:
Uma moradora de Goiana compartilhou uma imagem no Twitter do que seria o avião no mar: "Avião de médio porte cai no mar, a mais de 9 milhas do litoral de Catuama", escreveu a mulher em sua conta.
goiana


No deslocamento para Ponta de Pedras, a reportagem ligou para a assessoria de comunicação do Cindacta, em Brasília. De lá veio a informação: pescadores informaram aos Bombeiros que resgataram sobreviventes da queda do avião. Mas onde estavam os destroços do avião? E os sobreviventes?

Àquela altura, sete viaturas dos Bombeiros já haviam sido enviadas ao local. Helicópteros da Secretaria de Defesa Social (SDS) haviam sobrevoado por uma hora o suposto local da queda, a cerca de 6 quilômetros da costa. Nem avião, nem destroços, nem nada foi econtrado.

Aos poucos, a informação foi mudando. As versões e convicções de quem testemunhou a "queda" da aeronave mudaram com tanta força quanto o boato do estouro da Barragem de Tapacurá, na década de 1970. Um pescador em alto mar contactado pelos Bombeiros informou que a única coisa que se observou no mar durante o dia inteiro foi um navio cargueiro, e nada mais de "anormal" no céu ou no oceano.

Entrevista do capitão da PM Bruno Machado

Por volta das 19h30, a hipótese mais forte era de que as pessoas que contactaram os Bombeiros foram enganados pelos próprios olhos. O que teria ocorrido foi a confusão com a passagem de um navio que transportava uma imensa peça para o Estaleiro Atlântico Sul, em Suape.

De longe, o quadro formado deu a impressão de algo diferente. Avião, navio ou confusão, o certo é que população, Bombeiros, Marinha, Aeronáutica, PRF e imprensa gastaram tempo, paciência e dinheiro público.

Entrevista do tenente-coronel dos Bombeiros Francisco Cantareli


Fonte: NE10

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