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30 de agosto de 2013

Pesquisas do Projeto São Francisco revelam que seca existe há 10 mil anos

Ministro da Integração Nacional visita o Museu do Homem Americano, no Piauí. 
Parte do acervo é fruto de estudos feitos nos locais das obras do Projeto

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o governador do Piauí, Wilson Martins, visitam, nesta sexta-feira (30), o Museu do Homem Americano, localizado no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI). O acervo apresenta a história do homem de 100 mil anos atrás até a chegada do colonizador branco. O Museu é considerado o mais completo e moderno da América do Sul e possui laboratórios de arqueologia, paleontologia, registros rupestres e vestígios orgânicos e cerâmicos.

Parte da exposição é formada por descobertas feitas durante pesquisas arqueológicas nas obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco, que cruza quatro estados brasileiros: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Dois importantes achados ocorreram desde o início dos estudos, em 2009: que a seca existe há 10 mil anos e a confirmação da convivência entre o homem e a megafauna, composta por animais da era do gelo.

Estudos arqueológicos - A pesquisa arqueológica integra as 38 condicionantes ambientais para a construção da obra. O órgão responsável pela atividade é o Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido (Inapas), que tem à frente dos estudos a professora e coordenadora do Departamento de Arqueologia e Pós-Graduação em Arqueologia da UFPE, Anne-Marie Pessis. As novas descobertas já possibilitaram vínculos e cruzamentos importantes com as pesquisas da Fundação do Museu do Homem Americano (Fumdham), lideradas pela professora Niède Guidon.

Anne-Marie destaca que os levantamentos propiciados pelo empreendimento aproximaram pesquisadores de diferentes formações, que unem esforços pela investigação científica. Agora, profissionais como físicos, arquitetos e até especialistas em parasitologia estão mais próximos em campo.

Na opinião da arqueóloga do Museu do Homem Americano, Elisabeth Medeiros, é importante que o acompanhamento dos estudos de grandes obras seja realizado por uma instituição científica. “A troca de informações entre as áreas dá uma nova dimensão à arqueologia, antes setorial e, agora, regional”. A pesquisadora salienta ainda que a área das obras do São Francisco é rica em sítios arqueológicos. “Na região de Salgueiro, por exemplo, há vários sítios que podem ser compartilhados e expostos”, conta Elisabeth.

Descobertas - Foi nesta região, mais precisamente na Lagoa Uri de Cima, que os pesquisadores encontraram o esqueleto de uma preguiça gigante, com aproximadamente seis metros de altura. Os ossos, hoje expostos no Museu do Homem, indicam que o animal viveu ali há cerca de 12 mil anos. Até o momento, já foram resgatados mais de 90 sítios arqueológicos ao longo do projeto. A partir dos vestígios encontrados, é possível entender como grupos humanos que habitaram o Brasil integravam-se ao meio ambiente, o que produziam e como se alimentavam.

As descobertas indicam que, há 30 mil anos, a região que hoje sofre com a seca já foi úmida e teve uma vegetação rica, capaz de oferecer alimentos aos animais do período quaternário da megafauna, como preguiças-gigantes, tigre-dentes-de-sabre e tatu-pampaterium. Outra evidência é que, embora a região fosse úmida, há indícios que outros períodos de seca ocorreram no sertão nordestino.
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